Setembro Amarelo: só 18% das empresas focam em saúde mental

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Para a maioria das pessoas, o trabalho não se resume a ser apenas uma fonte de renda. Ele também dá sentido à vida, é um espaço de realização e de concretização de sonhos. Segundo a procuradora Regional do Trabalho Adriane Reis de Araújo, o ambiente de trabalho pode contribuir para a qualidade de vida do empregado e para a prevenção do suicídio quando reconhece o talento e a dedicação da pessoa à atividade profissional.

Segundo Araújo, quando o trabalho acolhe as mais diversas pessoas nas suas peculiaridades, seja numa questão de deficiência, de raça, de gênero, ele se torna um ambiente de trabalho bastante acolhedor que favorece a qualidade de vida e reduz situações de sofrimento.

Apenas 18% das empresas brasileiras possuem algum programa com foco na saúde mental do empregado. Os dados são da Isma-BR, representante no Brasil da International Stress Management Association.

Leonardo Vieira Wandelli, juiz do Trabalho e pesquisador na área de trabalho e saúde mental, considera, como uma das principais medidas de prevenção da depressão e do suicídio, que as empresas tenham políticas ativas de promoção da cooperação e do livre diálogo entre os trabalhadores. Para ele, é preciso que as empresas e as instituições acompanhem a saúde dos trabalhadores também do ponto de vista da saúde psíquica. Ele explica que como a doença individual é imprevisível, é preciso, em primeiro lugar, estar atento para a doença da organização em si. “As pessoas com grande frequência adoecem em decorrência do trabalho, entram em depressão ou outras enfermidades, mas o suicídio no trabalho geralmente só ocorre quando aquela pessoa não conseguiu se fazer ouvir de nenhuma forma”, afirma.

O Ministério Público do Trabalho defende a ratificação, pelo Brasil, da Convenção 190 da OIT, Organização Internacional do Trabalho, que contém diretrizes para o enfrentamento da violência, do assédio e da discriminação no ambiente corporativo.

Esses são fatores que podem gerar o adoecimento mental dos trabalhadores, segundo a procuradora Regional do Trabalho Adriane Reis. Ela cita o papel do Ministério Público, que recebe denúncias de situações de violência, assédio e discriminação, investiga os casos, chama as empresas para adequação da conduta de maneira espontânea e, caso contrário, ajuíza ações civis públicas para coibir a prática de violência, assédio e discriminação, sob pena de pagamento de uma indenização por danos morais coletivos.

O Ministério da Saúde informou que disponibiliza atendimento para pessoas em sofrimento psíquico de forma integral e gratuita por meio dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial e que a Política Nacional de Saúde do Trabalhador propicia que estados e municípios organizem a gestão de ações de atenção, vigilância e promoção à saúde do trabalhador. Segundo a pasta, o suicídio é, quase sempre, previsível e evitável. Por isso, é fundamental que ações de prevenção sejam fortalecidas.

Fonte: Revista Proteção / ANAMT

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